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Abr/17

“Salvar o planeta” foi o mote dos movimentos ecológicos por muitas décadas. De fato, a beleza da Terra justifica a proteção, mas você já parou para pensar que um ótimo motivo para preservar a natureza é o seu próprio bem-estar? A disponibilidade e a qualidade da água que você bebe, do ar que você respira, do alimento que está na sua mesa dependem do cuidado que todos nós tivermos com os recursos naturais.

Já entramos no “cheque especial” com a Terra – atualmente, o planeta não consegue regenerar os seus recursos naturais na mesma velocidade de nossas demandas. E, no ritmo de crescimento da população e dos níveis de consumo, o Banco Mundial estima que, em 2050, seriam necessárias quase três Terras para dar conta das demandas do nosso estilo atual de vida.

É preciso consumir de forma diferente, para que haja o suficiente, para todos e para sempre. Por isso, no Dia do Planeta Terra (22/4), o Instituto Akatu convida você a conhecer o impacto da ação humana na água, nos oceanos, no solo e nas florestas e como reduzi-lo com a prática do consumo consciente.

ÁGUA

Além de matar a nossa sede, de servir para o preparo dos alimentos e para a nossa higiene, a água também é um recurso natural indispensável para a produção de produtos industriais e, principalmente, de alimentos. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), aproximadamente 70% de toda a água disponível no mundo – que já não é muita – é utilizada para a produção de alimentos.

Isso significa que desperdiçar alimentos representa também um grande desperdício de água. Uma única maçã, por exemplo, consome 125 litros de água para ser produzida, segundo a Waterfootprint, rede multidisciplinar de pesquisadores e empresas que estudam o consumo de água nos processos produtivos. Isso é mais água do que o recomendado pela ONU para o consumo direto residencial de uma pessoa por um dia – tomar banho, cozinhar, lavar louça, escovar os dentes etc. – que são 110 litros.

OCEANOS

Toda atividade humana libera gases de efeito estufa (GEE), como o dióxido de carbono e o metano. Nosso estilo de vida causa a emissão de muitos GEE, provenientes da queima de combustíveis fósseis e de outras atividades como a agricultura e pecuária, a decomposição do lixo, a expansão de áreas urbanas ou produtivas e a consequente supressão de vegetação. Isso não seria um problema se não houvesse um acúmulo de GEE na atmosfera, causa do aquecimento global. Uma das principais vítimas do aquecimento global são os oceanos e sua rica vida marinha. A dissolução desse gás nas águas dos oceanos desencadeia a sua acidificação, que prejudica os corais.

Além disso, os oceanos influenciam o clima do planeta: os padrões de chuvas e a temperatura atmosférica estão diretamente ligados à temperatura do mar, ao fluxo das correntes marítimas, à evaporação e massas de ar e umidade. As mudanças do clima causam mais “eventos climáticos extremos”, como ciclones, chuvas intensas ou secas duradouras, que também comprometem o desenvolvimento de atividades fundamentais como a produção de alimentos e a geração de energia em todo o planeta. Outro efeito do aquecimento global nos oceanos é a subida do nível do mar pelo derretimento do gelo que se acumula na superfície do polo.

SOLO E FLORESTAS

Você sabia que apenas um grama de solo saudável contém milhões de organismos? É um ambiente vivo e seu pleno equilíbrio é essencial para a saúde das plantas, dos animais e das pessoas. Além disso, é a maior reserva terrestre de carbono do planeta, que deve ser preservada para evitar a aceleração do aquecimento global.

Porém, práticas insustentáveis de manejo do solo na agricultura e na pecuária, a urbanização, as mudanças climáticas e a poluição têm prejudicado esse recurso tão importante. Mais de 35% das terras (exceto as áreas congeladas) foram convertidas em solos para a agricultura. Neste processo, a vegetação natural é retirada, o que exige um manejo eficaz para evitar que o solo seja degradado. Preservar as florestas é importante não só para proteger o solo, mas para garantir o ciclo da água, o sequestro do carbono (e assim evitar o avanço do aquecimento global) e para preservar a biodiversidade.

Embora a preservação do solo e dos demais recursos naturais dependa bastante das empresas do agronegócio e do governo, é importante que o consumidor consciente tenha em mente que suas escolhas e atos de consumo têm um impacto indireto nessa questão. Cabe à população, além de contribuir com atitudes de consumo consciente no seu dia a dia, pressionar empresas e governos para que sejam divulgadas informações sobre os produtos que são oferecidos no mercado.

Pequenas mudanças nos nossos hábitos podem ajudar a diminuir esse impacto negativo, se praticadas por um número cada vez maior de pessoas ao longo do tempo. Por isso, faça parte dessa força positiva e seja um exemplo para amigos e familiares! Veja a seguir algumas práticas de consumo consciente para reduzir a emissão de GEE e o desperdício de “água invisível”:


• Não desperdice alimentos. A agropecuária é uma das maiores fontes de emissão de gases de efeito estufa no Brasil e grande consumidora de água.
• Dê preferência a frutas, verduras e legumes da época; além desses produtos não virem de tão longe e chegarem mais frescos (e, portanto, durarem mais sem estragar), o fato deles serem produzidos em condições climáticas “ideais” para o seu crescimento reduz a necessidade de aplicação de agroquímicos, e muitas vezes são menos impactantes para a saúde dos solos e dos recursos hídricos, por exemplo.
• Reduza o consumo de carnes vermelhas, nem que seja por um dia na semana. Em seu processo de digestão, bois e vacas emitem metano, um gás mais poderoso que o gás carbônico em relação ao efeito estufa. Além disso, para produzir cada quilo de carne bovina, são consumidos mais de 15 mil litros de água.
• Consuma produtos produzidos localmente, evitando emissões de GEE com o transporte. • Sempre que possível, evite o uso do transporte privado individual. Prefira o transporte público, a bicicleta ou uma caminhada, pelo menos em alguns trechos, que emitem menos GEE que o transporte motorizado individual; se precisar mesmo pegar o carro, procure coordenar caminhos para dar ou pegar carona e otimizar o uso do veículo.
• Economize energia elétrica, principalmente nos períodos secos, quando é necessário acionar as usinas termoelétricas, que emitem mais GEE.
• Reflita antes de fazer uma compra: você precisa mesmo disso? A fabricação dos produtos envolve extração e processamento de matéria-prima, uso de água e de energia na produção, além do gasto de combustível no transporte da mercadoria. Todos esses processos causam a emissão de GEE.

Publicado por Moderador edukatu

2 Comentários

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José

Acho muito importantante tratar essa questão do quanto o nosso planeta sofre consequências do nosso comportamento desenfreado de consumo dos recursos e precisamos saber quanto isso se dá dia a dia, seria interressante colocar um gráfico como isso se dá e quanto de cada elemento isso acontece para que tenhamos melhor percepção e leitura dos nossos atos consumista.

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7 meses

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Vivian

muito legal

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7 meses

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