Você já percebeu como um dia muito quente pode mudar a rotina? Uma onda de calor pode tornar mais difícil brincar ao ar livre ou uma chuva forte pode interromper as aulas e as atividades do dia a dia. Até uma temporada de seca pode afetar a produção de alimentos e o acesso à água. Essas situações mostram que o meio ambiente está diretamente ligado à nossa vida e, principalmente, ao bem-estar das nossas crianças e adolescentes.

O clima do planeta está mudando, e essas transformações podem aumentar a ocorrência de ondas de calor, secas, enchentes, queimadas e outros eventos extremos. Mas você sabia que isso também pode afetar direitos garantidos às crianças e aos adolescentes?

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece que crianças e adolescentes são sujeitos de direitos e devem ter garantidas as condições para seu desenvolvimento físico, mental, moral e social. Entre esses direitos estão o acesso à saúde, à educação, à alimentação, ao lazer, à convivência familiar e comunitária e à dignidade.

Quando o ambiente em que vivemos é afetado por questões como poluição, falta de água, temperaturas extremas ou desastres ambientais, vários desses direitos podem ser prejudicados.

Por isso, falar sobre meio ambiente também é falar sobre proteção à infância e à adolescência.

Como a crise climática afeta crianças e adolescentes?

Crianças e adolescentes estão entre os grupos mais vulneráveis aos impactos da crise climática. Seus corpos ainda estão em desenvolvimento e eles dependem de adultos e de serviços essenciais, como escolas, unidades de saúde, transporte, água e saneamento básico.

No Brasil, um relatório do UNICEF mostrou que 40 milhões de crianças e adolescentes, cerca de 60% desse grupo, estão expostos a mais de um risco climático ou ambiental. Em uma atualização publicada em 2026, o UNICEF acrescentou que aproximadamente 16 milhões de crianças e adolescentes brasileiros estão expostos a três ou mais riscos climáticos, como calor extremo e secas.

Calor extremo

Temperaturas muito altas podem causar desidratação, mal-estar e exaustão pelo calor. Para crianças, o cuidado precisa ser ainda maior, pois elas apresentam características fisiológicas que dificultam a distribuição do calor pelo corpo.

O calor intenso também pode dificultar a prática de atividades físicas e até afetar a concentração e o desempenho cognitivo. Por isso, escolas e outros espaços frequentados por crianças e adolescentes precisam estar preparados para períodos de temperaturas elevadas.

Chuvas intensas e enchentes

Chuvas muito fortes podem provocar alagamentos e enchentes, danificar casas, interromper o transporte e impedir que as pessoas cheguem aos seus destinos, como suas casas, escolas e hospitais.

Em situações mais graves, famílias podem perder suas moradias e ter dificuldade para acessar serviços de saúde, alimentação, água potável e outros serviços essenciais.

Secas e falta de água

A ausência prolongada de chuvas pode diminuir a disponibilidade de água e prejudicar plantações. Isso pode afetar tanto a higiene pessoal e a saúde quanto a produção e o acesso aos alimentos.

A crise climática também pode agravar situações de insegurança alimentar, especialmente entre famílias que já enfrentam dificuldades econômicas.

Poluição do ar e queimadas

A qualidade do ar também está relacionada à saúde. A fumaça das queimadas e a poluição causada pela queima de combustíveis podem aumentar os riscos de problemas respiratórios.

Segundo o UNICEF, crianças são especialmente vulneráveis à poluição do ar porque seus pulmões e outros sistemas do organismo ainda estão em desenvolvimento.

Educação ambiental também é proteção

A educação ambiental ajuda a entender a relação entre nossas escolhas, a sociedade e o planeta. Ela não deve ficar restrita a datas comemorativas ou às aulas de Ciências.

É possível falar sobre clima, por exemplo, ao estudar alimentação, energia, água, cidades, saúde, consumo, biodiversidade e cidadania.

A Política Nacional de Educação Ambiental determina que a educação ambiental esteja presente nos diferentes níveis e modalidades de ensino. Desde 2024, a legislação também passou a destacar a crise climática, a proteção da biodiversidade e os riscos e vulnerabilidades relacionados a desastres socioambientais.

E é importante lembrar que crianças e adolescentes não devem ser vistos apenas como vítimas da crise climática. Eles também podem participar da construção de soluções.

Observar os problemas do próprio bairro, cuidar dos espaços coletivos, economizar água, reduzir o desperdício de alimentos, plantar e cuidar de árvores, separar resíduos e conversar com outras pessoas sobre sustentabilidade são algumas formas de começar.

Isso significa que aprender sobre o meio ambiente também é aprender a reconhecer problemas, pensar em soluções e participar das decisões que ajudam a construir comunidades mais seguras e sustentáveis.

Quando protegemos uma nascente, ajudamos a garantir água. Quando preservamos uma árvore, contribuímos para melhorar o ambiente e reduzir o calor. Quando diminuímos a poluição, ajudamos a proteger a saúde. Quando pensamos em cidades mais preparadas para chuvas intensas, ajudamos a proteger famílias e comunidades.

Por isso, meio ambiente e direitos de crianças e adolescentes estão mais conectados do que parecem.

Construir um futuro sustentável não significa apenas cuidar da natureza. Significa também garantir que crianças e adolescentes possam crescer, aprender, brincar e viver com saúde, segurança e dignidade.

Acompanhe no Edukatu

Confira também outras matérias do Edukatu que podem ajudar a aprofundar o tema:

Fique por dentro do ECA Ambiental

Saiba mais sobre o Projeto de Lei nº 2.225/2024, que trata da proteção de crianças e adolescentes diante dos impactos das mudanças climáticas:

Acesse a tramitação do projeto na Câmara dos Deputados

Referências

Data de publicação: 14/08/2026

Publicado por Moderador edukatu
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